Política e Prazeres

Já que o poder é afrodisíaco.

sexta-feira, abril 11, 2008

Por WM hoje

O amplo palco das chuvas
Aí os deputados foram ver as cheias, conferir os estragos provocados pelas fortes chuvas sertanejas. A notícia da viagem está em todos os jornais locais, nas rádios, nos horários nobres e plebeus da tevê, na infinidade de blogues. No Rio Grande do Norte tem mais blogueiro do que jornalista. Mais até do que assessor de imprensa agregado ao Poder Legislativo. Na linguagem militar tem um chavão que funciona muito bem nas casernas e que pode ser aplicada em algumas repartições públicas (civis) brasileiras: “agregado como se efetivo fosse”. Direito, pois, a todas as vantagens. Por isso a notícia da visita dos senhores deputados aparecer com destaque em toda a mídia. Na fértil e dúctil mídia potiguar onde a Assembléia é uma força similar a da natureza.Confesso da minha emoção cívica quando vi e ouvi alguns parlamentares dizendo de suas impressões, do sentimento que, naquele instante, diante da natureza incontida e do repórter-locutor-talvez-assessor, se apoderara de sua alma. Era preciso, disse um deles, tomar todas as providências (deputado e burocrata gostam de tomar providência) para se dar assistência às populações flageladas, àquelas famílias que tiveram suas casas destruídas, aquelas outras que perderam suas lavouras, os que perderam o emprego. E por aí, seguindo a pauta do lugar comum, foi perorando o lídimo patriota.De Natal no rumo do Assu viajaram 16 deputados, dos 24 que constituem o plenário da Casa. Quanto custou ao erário público o deslocamento de tão numerosa e luzidia comitiva? (Agora, me bate uma pergunta: quais foram os motivos que alegaram os oito deputados para permanecerem na Capital?). À frente do grupo estava o próprio presidente da Assembléia, deputado Robinson Faria de quem, dizem os repórteres, foi a idéia da visita, de ver “in-loco” (sim, em latim), que quer dizer, no próprio local, a enchente do Rio Assu. Vi na televisão e conferi nas fotos das folhas a elegância esportiva do deputado Robinson. Vestia uma camisa polo de grife italiana, cor clara, alva mesmo, tipo assim algodão-doce, linhas horizontais duplas, finas, suaves, calça jeans made in Califórnia, óculos escuros de designer francês, o corte e o penteado do cabelo impecáveis. A foto corta abaixo dos joelhos não permitindo se veja os sapatos que o presidente usava. Uma pena.Destaco uma frase do deputado Robinson Faria diante do que ele pode ver, apesar de seus elegantíssimos óculos escuros, naquela amplidão do vale alagado pela cheia do grande rio. Disse, eloqüente, peremptório, em tom de comando: “Precisamos cobrar do governo federal medidas que amenizem os problemas econômicos da região. É importante que a burocracia de Brasília não se sobreponha sobre o sofrimento do povo do Rio Grande do Norte. Chegou a hora de saber se existe ou não prestigio na bancada federal do RN” . E arrematou com acentuado sotaque napoleônico:- Não há tempo para esperar. O deputado Robinson Faria pode ficar tranqüilo que a bancada federal do Rio Grande do Norte tem muito prestígio em Brasília. A começar pela bancada na Câmara que é liderada pelo deputado Fabio Faria, seu filho, que tem tido uma atuação exemplar naquela Casa.Das chuvas Diminuiu bastante nas últimas 48 horas a intensidade das chuvas caídas no Rio Grande do Norte. O boletim de ontem da Emparm (chuvas de quarta para o amanhecer de quinta), registra ocorrências em apenas 20 localidades do Estado. E maior chuva foi de apenas 31 milímetros, em Florânia, no Seridó. Em São Miguel do Gostoso, Litoral Norte, foram 23 mm. Chuvas finas no Oeste, Seridó e no Agreste.